sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A entrevista de Cardoso da Silva

A revista da CML de Novembro de 2007 traz uma entrevista com o vereador do pelouro das finanças e recursos humanos. Dali se citam alguns sublinhados que têm directamente a ver com os trabalhadores precários do município (se bem que há outros pontos que conviria também destacar uma vez que a maior parte de nós os vive dia a dia, ou não fosse a CML a nossa entidade empregadora) e os quais destacamos. Permitimo-nos também fazer alguns comentários que julgamos oportunos.
Quando questionado acerca dos 127 despedimentos e da hipótese de serem mais:
"Sim, pode haver mais mas também vai haver a reavaliação de alguns casos, nomeadamente das senhoras grávidas e de um casal em que tiveram os dois os contratos rescindidos. Nos casos das grávidas, o contrato vai ser estendido e em relação ao casal vou ver qual é a melhor solução"
Se isto não é populismo não entendemos o que será. E para além das grávidas, como ficam por hipótese os que têm filhos para criar ou aqueles que já ultrapassaram a idade ideal para arranjar emprego porque durante uma década prestaram serviços à CML?
Quanto aos critérios:
"Há dois tipos de critérios. Há o critério essencial que tem a ver com o tempo. Há pessoas que, pelo seu tempo na CML, não prefiguram ainda um contrato de trabalho. E, depois, há outras situações em que não é do interesse da Câmara manter esses contratos"
Afinal houve critérios!!! Na verdade até se dispensaram as senhoras dos arranjos florais e ao que se sabe uma socialite, mas, mais uma vez, e as pessoas que trabalhavam na CML há mais de 8 anos?
Questionado se o processo foi definido com os directores municipais e chefes de divisão:
"Tem mesmo de ser assim. Não sou eu que conheço as pessoas, não sou eu que as escolho"
Afinal o senhor até sabe ser sensato, se tanta sensatez for verdaeira! O que não deixa de ser estranho é que mais de 90% das chefias camarárias são pessoas indicadas pelo PSD nos anteriores executivos pelo que, se havia de escolher entre os trabalhadores, os boys e as girls podiam ser postos a salvo...
Quanto à percentagem de 30% de despesa a reduzir com avençados e outros contratados:
"No plano de saneamento financeiro fala-se de 30% da receita [ou será despesa?], mas esses 30% implicam duas coisas. Em primeiro lugar, se as pessoas entrssem todas para o quadro reduzia-se logo pelo menos 10% o montante porque há contratosem que o valor desceria significativamente. Há, com certeza, pessoas que não estão interessadas. Há seguramente mais de 10%. Portanto, dos cerca de 1000, se já estavam 10% era preciso mais 20%, cerca de 200 pessoas, para se cumprir esse objectivo"
Perante as contas apresentadas, o entrevistador concluí que 50% dos despedimentos estão já efectuados...
"Sim e este tema vai terminar agora porque não podemos estar permanentemente em análise. No fim de Novembro estará tudo decidido"
É hoje! Será que já está tudo definido? Ou vamos ficar à espera que a Câmara caía outra vez para que o senhor que se segue conclua o que estes senhores começaram?
Apontámos o suficiente, pelo que os comentários que se seguem são vossos...

3 comentários:

Guilherme S. Bastos disse...

Quero antes de mais dar os parabéns ao blogue. Fico surpreendido com muito do que se passa na CML lendo-vos assiduamente.
Percebo a indignação da maioria perante a lista de nomes por vós publicada denunciando ordenados principescos pagos na maior parte das vezes a funcionários de partidos políticos.
Ao mesmo tempo, fiquei a saber que se empregam reformados, que há funcionários pagos com horas extraordinárias e subsídios à margem da lei e outras questões que aqui e ali vão sendo levantadas por comentários.
Como municipe de Lisboa e cidadão preocupa-me tudo isto e embora não estando envolvido directamente, penso que enquanto cumpridor das minhas obrigações fiscais devia intervir dando o meu sigelo apoio à luta de pessoas que trabalham em prol da res publica.
Lembro bem, e honra lhe seja feita que há uns anos atrás sentia-me impecavelmente atendido por eficientes atendedores no edificio do Campo Grande. Naquele tempo, penso que antes do santanismo, a CML tinha um dos mais eficientes atendimentos presenciais que me lembro. Pensei, na altura que a administração pública e local estava a mudar na sua elação com o cidadão. Aqueles jovens eram o rosto disso e espero que mantenham.
Infelizmente, falta mudar muita coisa como esta questão do emprego.

Decidi hoje escrever porque conheço o Sr. Cardoso da Silva e pelo que li agora e tenho lido ao longo deste último mês na comunicação social, acho que para um ex-funcionário do BCP o senhor aprendeu muito bem a fazer política. É de facto, um discurso de político. Nem o dr. António Costa, profissional da política teria conseguido fazer melhor.
GB

Anónimo disse...

Grande entrevista!!!
No meu serviço não nos dão a revista pq não somos do quadro.
É assim que se é trabalhador precário na CML!!!

Ze Cantoneiro disse...

Repararam como o Sr, Vereador Cardoso se descarta:

"não fui eu que os escolhi, nem os conheço"

Portanto ele não tem nada a ver. É o novo PILATOS